“Eu me declarei pra você milhares de vezes. Quando eu ri daquela sua piada idiota que não teve a menor graça e quando dei risada das piadas de mau gosto que você fez sobre mim. Lembra? Eu deixei você me zoar porque você achava muita graça naquilo, e se te faz feliz… Bom, me faz feliz. Quando eu deixei os outros um pouquinho de lado pra dar toda a atenção pra você. Quando eu ouvi as músicas que você me mandou, mesmo elas não sendo do meu gosto. Lembra… Quando eu tratava todo mundo mal, mas era super gentil com você? Então. Isso também foi uma declaração, mesmo que silenciosa. Quando eu aguentei suas grosserias todas porque você teve um dia ruim. E também quando eu deixei você descontar todas as suas frustrações em mim, mesmo eu não tendo nada a ver. Quando eu te fiz sorrir quando tu chorava por outra pessoa. Quando eu te defendi do mundo mesmo você estando completamente errado. Quando eu deixei de ficar irritada só porque você tava mal e precisando de alguém. Eu me declarei pra você tantas vezes, da minha maneira… Só você que não viu.
“Alguém me perguntou se eu conhecia você, um milhão de memórias passaram pela minha mente e eu sussurrei: - Não mais.
“Mas tem música que lava a gente por dentro. Sabe? Aquelas que conseguem decifrar tudo oque você está sentindo. Aquelas que conseguem curar feridas do coração, que conseguem te alegrar. Música faz um bem danado, ás vezes. Tem umas que ajudam mais que psicólogos. Mais que remédios, e mais que as próprias pessoas. Mas ás vezes, a música te fode todo. Te faz ficar depressivo, e te faz lembrar coisas impróprias de serem lembradas… Ás vezes. Nem sempre. Afinal, é só música.
“Algo me dizia que o que eu estava sentindo era ciúmes. Parecia com ciúmes. É como puxar com o dente aquele cantinho da unha até sangrar. Dói e ao mesmo tempo incomoda. E como incomoda viu.
“Não banque a idiota com o demônio, querida, a menos que ele a trate muitíssimo melhor do que o todo poderoso.